Nós, da diocese de Marabá, todos os anos promovemos o Congresso da Pastoral da Juventude - que ocorre no período de carnaval. A cada ano é escolhida, de acordo com nossa realidade, uma temática distinta a qual é trabalhada em várias atividades durante o evento (oficinas, missão, rodas de conversa, marcha etc.). No próximo congresso decidimos trabalhar de maneira aprofunda o tema da CF: “Fraternidade e Juventude”- “Eis-me aqui, envia-me”. Tal temática nos ajudará a perceber as tendências de nossa época tão presentes em nossa região. O nosso mundo, injusto pautado pelo capitalismo cruel e competitivo, clama por uma atitude missionária crítica e transformadora – a qual deve brotar de dentro dos corações de nossos jovens. Em vista disso, pensamos em preparar um subsidio configurado à nossa realidade para irmos sintonizando nossos corações com o tema proposto.
Percebemos na juventude de hoje certa indiferença frente à sua própria realidade. Como nós jovens, frutos de um mundo complexo e instantâneo, podemos optar radicalmente pelo reino? Já nascemos respirando o “ar” de uma cultura ambígua, fragmentada, plural e competitiva na qual quem detém o “conhecimento” tem nas mãos o poder de decisão. É um mundo materialista que repele o sagrado o qual parece não ter mais lugar. Fazem-se presentes na nossa sociedade vários dispositivos (instrumentos) que estão a serviço de uma astuciosa lógica de mercado. Toda essa estrutura é uma engrenagem bem montada que gera injustiça, exclusão (principalmente no meio juvenil) e busca fazer de nós objetos de estímulos e respostas, podando nossa capacidade crítico – reflexiva e mística.
A maioria de nós até que trazemos grandes desejos em nossos corações, mas parece que esse mundo fragmentado e plural deixa-nos sonolentos e fracos de vontade. Há uma forte inclinação para abraçar o “agora” a qualquer custo, o que vale é sentir prazer no aqui e agora. Isso viabiliza o prejuízo ético e utópico - afeta a responsabilidade, o compromisso e a identidade geradora de vida presente no ser humano, principalmente na juventude. A multiplicidade de signos ilusórios da cultura atual colabora para a formação de bases familiares frágeis, de pessoas superficiais as quais herdam noções ilusórias maléficas da sexualidade e da afetividade - uma realidade afetiva confusa, pautada no hedonismo e egocentrismo (motores da ideologia de mercado).
Será que frente a tal realidade podemos ser realmente inteiros (preparados) para levar vida à realidade que nos cerca? Hoje, ser uma pessoa comprometida e construtora de relações de vida não é fácil. Há muitos apelos externos e internos que levam o jovem a entrar na lógica da concorrência em busca da felicidade individual e do prazer, a genuína felicidade acaba ficando cada vez mais distante.
Então, o grande desafio é formar jovens mais profundos e livres, radicalmente empenhados no projeto do reino. Creio que para isso não há uma fórmula pronta. Contudo, precisamos criar instrumentos para que o jovem possa ampliar seu olhar frente à realidade – provocar o olhar profundo transformador e crítico frente ao seu mundo. Tal atitude pode levar o jovem à estreita relação com Deus, consigo mesmo e com sua realidade – reconhecer que há um doador, acolhendo-se como Dom e voltar-se de maneira agradecida, gratuita e comprometida para o todo criado (a realidade que manifesta o apelo e o desejo de Deus).
A nossa intenção não é oferecer a realidade lida ou interpretada, o que podemos fazer é disponibilizar algumas linhas gerais e meios para que o jovem construa seu próprio olhar frente ao seu mundo. Talvez esse subsidio, que traz algumas inquietações em relação a nossa região, possa ser um de tantos instrumentos que podem ser oferecidos. Desejamos que a juventude desperte para o seu discipulado frente aos apelos do reino. A nossa realidade espera do jovem uma atitude transformadora e missionária.
Equipe de Preparação
Fonte: PJ Diocese de Marabá
