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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PJ Jacundá

A sexta hora

O protagonismo feminino na história do povo de Deus se faz presente desde o primeiro testamento. Deus cria o homem e a mulher à sua imagem e semelhança para, complementarmente, viverem e serem fecundos. No Êxodo, vemos um Moisés que vence seus medos e vai ao encontro do Faraó, libertar seu povo. Porém não vai sozinho: Miriam está com ele. Sara é outro exemplo: mesmo com idade avançada e, acreditando não poder mais dar um filho a Abraão, ela engravida e dá nome ao filho do casal – Isaque. Tantas histórias que caberiam num livro.

O Evangelho de João é considerado o livro dos sinais, dos sacramentos de Jesus. Desejo destacar nestas poucas palavras os sinais transmitidos especificamente por duas mulheres: a Samaritana e Maria Madalena.

Na narrativa da Ressurreição, (cf. Jo 20, 1-18) podemos desvelar uma releitura da criação narrada no primeiro capitulo de Gênesis e uma continuidade do livro Cântico dos Cânticos (este também escrito por mulheres que, para ter seus escritos publicados, optaram por conceder a autoria a Salomão). Maria Madalena, depois de passar a noite toda à procura do seu Senhor, se depara, ainda de madrugada, com o túmulo vazio. Toma a iniciativa de contar aos discípulos. Estes, porém, não lhe deram muito crédito e foram ver se era verdade o que contara. Ao contrário de Pedro e do discípulo amado, Madalena não entra no túmulo, pois acredita que Jesus está realmente vivo. Desesperada, sai novamente à procura e encontra alguém no jardim, pensa que é o Jardineiro. Fica impressionada ao descobrir e reconhecer o mestre. Sua alegria é tanta que sai gritando que Jesus está vivo. É seu momento de conversão e protagoniza uma linda cena: o nascimento do Cristianismo.

Já no texto que narra o encontro de Jesus e a Samaritana (Jo 4, 5-42), vemos uma mulher quatro vezes rejeitada: por ser mulher, por ser pecadora (vai ao meio dia no poço – horário impróprio para tal tarefa), por ser estrangeira (da Samaria), e por ser pobre (é ela mesma que vai ao poço). Neste encontro, Jesus coloca a mulher verdadeiramente “na parede”, faz ela se chocar com seus medos e com o círculo vicioso da tradição – “Você um judeu... eu, uma samaritana” (cf Jo 4, 7-9). 

O encontro dos dois se passa no poço de Jacó, não por acaso. O poço simboliza a origem, a tradição, a fonte dos valores em que ela fora criada. A samaritana entra em crise: “Será que este judeu é uma nova fonte da qual posso viver?”. Ela, então descobre uma nova fonte de água viva, corrente, capaz de tirá-la de seu egocentrismo, do papel ao qual estava acostumada a ocupar na sociedade: mulher, pobre, marginalizada, estrangeira. Descobre, a partir do encontro com Jesus que é momento de converter-se. Então abandona sua jarra, pois descobrira outra água e retorna à cidade, como outra mulher, com personalidade, protagonista de sua história.

São apenas alguns exemplos de mulheres que foram capazes de romper com a tradição pré estabelecida e tecer novas relações de vida pessoal e comunitária, a partir do seguimento de Jesus Cristo. Mulheres que “na sexta hora”, ou seja, na sua juventude descobriram seu precioso papel na sociedade: ser profetizas anunciadoras de um Cristo que jamais esteve morto, de um Deus que jamais nos abandonou e junto com mulheres e homens, sempre caminhou e caminhará conosco.

Luiz Fernando Rodrigues
Educador, administrador, integrante da equipe de assessoria da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Maringá-PR

Fonte: http://pjmaringa.com.br

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